Cárcere
Há mais negros em prisões do que nas universidades

O negro é cada vez mais visto como bandido. Sem qualquer tipo de acesso às condições vitais para sua sobrevivência, o negro acaba sendo o bode expiatório dos problemas econômicos e sociais devido à sua origem escrava e à exploração capitalista

29 de junho de 2004

Em um relatório realizado pelo Instituto de Política Judiciária, uma organização não governamental situada em Washington que defende outras alternativas ao encarceramento, divulgou que nos últimos 20 anos o número de homens negros presos nos EUA quintuplicou chegando a um ponto em que existem mais negros em presídios do que nas universidades.
É interessante ressaltar que nestes últimos 20 anos, mais especificamente a partir de 1980, a construção de presídios nos estados norte-americanos teve um crescimento altíssimo, o que resultou em um aumento proporcional ao número de negros presos.
Segundo o relatório, o número de negros presos em 1980 era de 143.000 enquanto que o número de negros matriculados em universidades era bem maior, 463.700.
Em comparação, até o ano de 2000 a quantidade de negros existentes em presídios era de 791.600 e nas universidades até este mesmo ano, o número de negros matriculados era de 603.032, ou seja, um crescimento de mais de meio milhão de negros nas prisões em 22 anos enquanto que menos de 200.000 negros matricularam-se em universidades no mesmo espaço de tempo.
Embora a contagem do número de homens negros nos presídios seja a partir de 17 anos ou mais e nas universidades essa contagem se limita a um número mais estreito, o aumento de presidiários negros e universitários negros se distanciam cada vez mais. Hoje, as chances de um jovem negro norte-americano ir para a prisão é muito maior do que ir para uma universidade.
Há especialistas que não concordam com este fato alegando que nestes anos houve um aumento muito grande de negros condenados por estarem relacionados a drogas. No entanto, de acordo com o Departamento de Justiça, entre os anos de 1990 e 2000, 50% do aumento da população carcerária em prisões estatais deu-se a outros tipos de crimes e apenas 20% deste aumento estava relacionado a drogas.

Na cidade do Rio de Janeiro 66% dos negros estão encarcerados

No Brasil, a situação não é diferente em relação à quantidade de negros detidos em presídios e penitenciárias. Estudos como estes não são divulgados pela imprensa burguesa, pois estes dados só denunciam a condição do negro pobre, sem oportunidades e discriminado.
Parte deste problema pode ser observado em uma pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV),"Retrato do Presidiário Carioca", onde o estudo visa apontar o número de negros que vivem em presídios na cidade do Rio de Janeiro.
O principal dado revelado pela pesquisa mostra que 66,5% dos negros que moram no Rio estão presos. Mais da metade da população negra carioca está encarcerada. Até o ano de 2000 o número de negros que estavam presos era de 10.000, a maioria composta por homens, jovens, de baixa escolaridade, solteiros, sem uma religião definida, negros ou pardos.
Do total de negros encarcerados na cidade do Rio, 80,3% possuem um grau baixo de escolaridade e 16,3% são completamente analfabetos. Os homens são maioria absoluta nas penitenciárias com 96,7%, solteiros com 85,8% e 80% dos jovens presidiários são naturais da própria cidade.
Sem condições e oportunidades, a população negra é a etnia mais explorada e discriminada do mundo. É em grande parte a população que produz toda a riqueza e é ela a que menos tem direitos na sociedade.
A burguesia e seus interesses em absolutamente nada são compatíveis com a população pobre e negra no Brasil e em outros países. É indubitavelmente necessário uma luta política contra os interesses da classe dominante, pois só assim todos os problemas da população negra serão definitivamente resolvidos.