| EUA
A polarização dos negros norte-americanos
Após 139 anos do fim da escravidão (1865), o negro norte-americano ainda sofre a discriminação racial e resiste por sua auto-afirmação na sociedade. Toda a população negra nos EUA, como raça explorada e oprimida, encontra-se na mesma situação, em maior ou em menor medida, da população negra de todo o mundo. Tanto em países imperialistas como em países mais atrasados do ponto de vista econômico, os negros são os que tem menos empregos, menos educação, menos saúde e mais opressão.
2 de jul ho de 2004
Os EUA jamais adotaram um sistema único de cotas raciais. A inserção dos negros e outras minorias étnicas, como latinos e asiáticos, no mercado de trabalho e na educação superior foram vistas de diferentes formas, inclusive o sistema de cotas, por agências governamentais, empresas e universidades nas décadas de 70 e 80 que adotaram programas que estabelecessem garantias a negros, inclusive estrangeiros, para cumprir a Lei dos Direitos Civis. Esta lei, na realidade, só serve para garantir a cínica aparência de democracia nos Estados Unidos. Na cidade de Los Angeles, por exemplo, onde a polícia é uma das mais repressoras, milhares de negros são vítimas de assassinatos e torturas todos os anos.
As várias propostas de leis que supostamente favorecem minorias raciais foram testadas nos tribunais. A suprema Corte norte-americana, pronunciou-se em diversos casos e restringiu o uso da ação afirmativa, nome dado pelo ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy a um conjunto de medidas que supostamente colocariam o negro em pé de igualdade com os brancos, como por exemplo o sistema de cotas para inserção do negro no mercado de trabalho e na universidade, mas que na verdade não passava de um paliativo para amenizar o movimento negro na década d e1960 que buscava uma solução muito além das cotas.
Os programas vigentes de ação afirmativa nos Estados Unidos são praticados por diferentes sistemas em vários níveis governamentais, empresas e universidades. O sistema de cotas que está em vigor no Brasil não é praticado em nenhum estado norte-americano. O governo norte-americano apenas permite que os negros e as minorias étnicas sejam considerados como fator nos critérios de contratação de empregados e admissão de alunos em universidades.
As cotas para o funcionalismo público, por exemplo, nos seus diversos escalões são proporcionais a um número relativo à população como um total e em seus estados e cidades. Isto quer dizer em números que, supondo que entre os funcionários públicos federais a porcentagem de negros neste ofício seja de 17%, isto significaria um número proporcional de 12% na população total e também de 10.6% da mão-de-obra negra economicamente ativa no país.
Outro tipo de garantia de vagas para negros e minorias étnicas é a adotada pela Escola de Direito da Universidade de Michigan, onde um sistema de pontuação decide o ingresso dos candidatos nesta universidade. De um total de 150 pontos, 110 são destinadas para a avaliação do desempenho acadêmico do candidato no colegial e sua nota no SAT, uma espécie de “provão” que os alunos fazem no último ano do colegial. Dos 40 pontos restantes, 20 são conferidos como critérios que envolvem o fator raça.
Segundo as pesquisas de opinião nos EUA, 73% dos brancos são contra as políticas de ação afirmativa. A população branca norte-americana representa hoje 71% do total, enquanto que os latinos, a minoria que mais cresce nos EUA, tem uma porcentagem equivalente aos negros com 12% do total.
A ascensão da luta do negro
A população negra norte-americana, como raça oprimida e explorada, sempre lutou e vem lutando para conquistar sua equivalência social. Em 1950, o índice de negros matriculados em cursos universitários de quatro anos não chegava a 3%. Nos últimos 25 anos este índice teve um aumento de 9% para 11% de hoje. Os brancos, que representavam 87% de alunos matriculados em universidade em 1976, hoje representam 75%. Além desses dados, a porcentagem de negros diplomados e que estão empregados nas profissões liberais é de 7%, um aumento ao que era em 1976 com 4%. Concluindo, a participação relativa dos brancos recuou de 92% para 76% no mesmo período. A participação dos negros norte-americanos por suas reivindicações foi um dos fatos políticos mais importantes do século XX nos EUA. No entanto, apesar dessa enorme mobilização política, o governo dos EUA, como qualquer outro governo capitalista, aplica medidas de aparência democráticas que servem unicamente para conter um uma mobilização de caráter independente da burguesia que possa tomar grandes proporções.
A queda da afirmação do negro
Após 40 anos de lutas expressivas nos EUA, a população negra não tem seu lugar efetivo na sociedade norte-americana, pois é impossível assimilar a posição do negro dentro do capitalismo, não só apenas nos EUA, mas em todo o mundo. Nos últimos anos, a qualidade de vida sócio-econômica do negro vem caindo cada vez mais.
O forte crescimento econômico nos EUA nos anos 90 jogou o negro para fora do mercado de trabalho e das universidades. Este fato concretiza-se mais ainda pela política econômica de George W. Bush, que é uma das piores, se não for a pior, política da história dos EUA.
Segundo dados da Sociedade de Serviço Comunitário nos EUA, revela que no ano de 2003, 51,8% dos afro-americanos estavam empregados na cidade de Nova York enquanto que os brancos representavam 75,7% dos empregados. Outro dado revelado, foi a taxa de pobreza entre os negros. Esta taxa caiu para o menor nível da história em 2000 e teve uma elevação em 2002 com uma porcentagem de 23,9%. Também a renda dos negros foi a que mais despencou aceleradamente a partir de 2001. Em 2002, os rendimentos anuais dos negros eram, em média, de US$ 29 mil, isto é, 64,4% do total da renda da população branca, em média de US$ 45 mil. Em 2000, essa relação era de 67,6%. Finalmente, outro fator de desvantagem para o negro é o acesso ao capital, mais latente no setor imobiliário. Em 2001, somente 47% de negros, juntamente com os hispânicos, possuíam casa própria enquanto que o índice de brancos era de 74%. A população negra nos EUA, no Brasil e no mundo todo, é explorada pelo capitalismo que atingiu suas contradições máximas de desenvolvimento econômico e decadência social. É dever do negro oprimido e discriminado lutar por seus direitos e emancipação, luta que só pode ser vitoriosa se travada em união com a classe operária, única classe capaz de levar a frente a reivindicação dos setores oprimidos na sociedade capitalista.
|