Bahia
Salvador é a capital da desigualdade racial

30 de setembro de 2004

A capital baiana é uma das metrópoles mais populosas do País, sendo também a cidade que mais concentra negros e pardos, constituindo cerca de 86,6% de toda a sua população.
Baseando-se nesses dados, Salvador se revela como a cidade com a maior desigualdade racial do país, sendo muito mais evidente no interior da classe trabalhadora, onde os assalariados negros recebem bem menos que os brancos.
Os negros chegam a ganhar quase três vezes menos que os brancos, sendo uma média de R$ 556 para negros e pardos e R$ 1.550 para os brancos mensalmente.
Em relação ao desemprego, há também uma grande diferença entre negros e brancos. A taxa de desemprego entre a população negra em Salvador atinge, em média, 18,3%, enquanto que entre os brancos é de 9,3%.
Os dados foram levantados pela PME (Pesquisa Mensal de Emprego), que pesquisou também a relação de grau de escolaridade entre negros e brancos.
Apesar de Salvador ter a maior quantidade de pessoas consideradas em idade ativa, de 11 anos pra cima, que já concluíram o ensino médio, sendo a região metropolitana que registra o maior número de negros com ensino médio completo, o abismo histórico entre as duas raças não possibilita saldos positivos para a população negra.
Cerca de 33% dos negros já estudaram pelo menos por 11 anos. Já entre os brancos a diferença simplesmente dobra, sendo 66%.
Diante destes índices, a população negra em Salvador encontra muitas dificuldades para encontrar um emprego, resultando em atividades que exigem menos instrução e maior esforço físico, como, por exemplo, na construção civil e em serviços domésticos.
Nestas duas áreas, os negros e pardos são os que mais predominam: Uma média de 1,4 milhão está inserido na construção civil, representando uma porcentagem de 54%. E mais 1,4 milhão trabalha em serviços domésticos, indicando 59% dos negros e pardos. Os brancos são predominantes no ramo industrial e em serviços públicos, como saúde e educação.
Dentre os negros que são contratados neste ramo, as empresas privadas são as que mais empregam sem carteira assinada.
Não só na Bahia, mas como em todo o Brasil, onde metade da população é constituída por negros, sendo o segundo país que mais concentra negros, a sua condição de oprimido e explorado não expressa nada mais que a dominação histórica da classe dominante sobre os setores mais oprimidos da sociedade.
Além disso, a posição de discriminação social e racial que a população negra sofre, é um resultado da total incapacidade do capitalismo em poder assimilar este fator.
A emancipação da população negra, para se dar de forma definitiva e completa, depende de um programa específico e revolucionário, que se volte contra a classe dominante, que vive da exploração dos trabalhadores, em sua grande maioria constituída pela população negra.