Desigualdade social
Pesquisa revela a impossibilidade da burguesia em assimilar a população negra

A população negra, como um dos setores mais oprimidos e explorados na sociedade, historicamente demonstra que sua emancipação definitiva não será dada pela burguesia, mas somente virá sob a luta política contra o Estado capitalista

4 de dezembro de 2004

Apresentado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud), juntamente com a Universidade de Minas Gerais, foi realizado um estudo chamado Atlas Racial Brasileiro, onde, baseando-se em dados do IBGE, chegou-se à conclusão de que todos os indicativos sociais apontam para uma grande desproporcionalidade comparando-se estas condições entre negros e brancos.
Em quesitos como pobreza, taxa de mortalidade, grau de escolaridade e saúde, a população negra continua em completa desvantagem em relação ao branco, sendo o negro muito mais pobre, com uma expectativa de vida mais baixa, além de menor escolaridade e restrito acesso à saúde.
Foi demonstrado que houve um relativo progresso na condição de vida da população negra desde 1991, porém, analisando-se todos os dados referentes às questões raciais no Brasil, conclui-se que nenhuma das diferenças diminuiu.
Em relação à posição econômica entre negros e brancos, pôde-se constatar que 60% dos pobres no País são constituídos por negros. Além disso, dentre as pessoas consideradas como indigentes 70% são negros.
De um modo geral, de acordo com os dados da pesquisa, 50% das pessoas negras ou pardas são pobres, enquanto que apenas 25% dos brancos apresentam a mesma condição social.
Analisando a taxa de natalidade, foi concluído que um bebê negro do sexo masculino, nascido em 2000, terá, em média, 5,3 anos a menos de vida do que um bebê branco do mesmo sexo.
Já entre os bebês negros de sexo feminino nascido no mesmo ano, a expectativa de vida é de 4,3 anos a menos do que os brancos, um número menor ainda.
Um dos dados mais impressionantes está na taxa de mortalidade infantil, onde uma criança negra, durante seu primeiro ano de vida, tem 66% a mais de chances de morrer do que uma criança branca de mesmo tempo de vida.
De acordo com a as metas do milênio para o Brasil estabelecido pela ONU, sendo oito os objetivos sociais que devem ser desenvolvidos e atingidos até 2015, a mortalidade infantil, por exemplo, deveria ser reduzida em 16 mortes para cada mil pessoas que nascem.
No que diz respeito à fecundidade, o número de filhos para cada mulher branca é de 2,1, enquanto que entre as mulheres negras este número é um pouco mais elevado, chegando a 2,7 filhos.
Os indicadores sociais apontados pelo estudo refletem a condição histórica da população negra em permanente estado de desvantagem, colocando-os em uma posição de cidadãos de segunda classe, sendo superexplorados e colocados à margem da sociedade.
A questão racial surgiu decorrente da posição social subalterna que ocupava e que o capitalismo, até mesmo depois do fim da escravidão, não pôde, nem vai, emancipar. Uma vez que a população negra constitui hoje quase a metade de toda a população brasileira e, em sua imensa maioria, representa a classe trabalhadora.
Nesse sentido, é a condição econômica que determina a sua posição de explorado no interior da sociedade capitalista, onde a cor da sua pele é apenas um pretexto para manter a população negra sob essa maior exploração. O capitalismo é completamente incapaz de promover uma assimilação do negro na sociedade, devido à sua relação de trabalho entre empregado e empregador, ou entre as classes sociais, cuja conciliação é impossível.