Negros e brancos
Estudo indica dificuldade de relação entre negros e brancos

É de senso comum o fato de que existe discriminação racial no país, no entanto, todos negam ser preconceituosos em relação aos negros

6 de julho de 2004

Segundo uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisa e Informação da Universidade Federal Fluminense com o objetivo de analisar a relação de convivência entre negros e brancos no estado do Rio de Janeiro, de todas as pessoas que foram entrevistadas 77% indicaram ter problemas de convivência. Um outro dado apresentado pelo estudo aponta um índice de 93% de pessoas que afirmam a existência de discriminação racial no país.
Um problema fácil de ser identificado é a relação entre negros e polícia. Em uma batida policial, por exemplo, os negros são sempre os primeiros a serem revistados e muitas vezes são revistados por policiais negros. Neste caso, a relação entre o negro e a polícia nada mais é que a relação entre o Estado repressivo e a população pobre, composta em sua esmagadora maioria pelos negros.
O problema do racismo no país é nitidamente indicado e propagandeado pela imprensa burguesa onde o negro sempre se encontra em posição de inferioridade em todos os aspectos como raciais, econômicos e sociais.
A discriminação sofrida pela população negra é um resultado de toda a exploração do passado que perdura até hoje. O decreto da Lei Áurea assinada em 13 de maio de 1888 pela princesa Isabel não foi nem de longe a libertação da escravidão negra e tampouco uma medida democrática do império naquela época.
Os senhores brancos, até então proprietários dos negros escravos expulsaram todos eles de suas propriedades e os substituíram por imigrantes europeus. Os negros escravos foram simplesmente segregados pela sociedade sem recursos para trabalhar, sem nenhum lugar para viver, sem nenhum grau de educação e nenhum trabalho.
A abolição da escravidão foi um resultado da profunda crise do império, que precedia a república, e do desenvolvimento das forças produtivas que não poderia mais se encavalar no desenvolvimento histórico da sociedade.
A população negra herdou desta época a sua impossibilidade de ser assimilado igualitariamente na sociedade. As relações sociais entre negros e brancos são um resultado histórico que não poderá ser suprimido enquanto existir o regime capitalista, baseado na concorrência de mercado. Este é um fator determinante que influencia a convivência social não só apenas em relação às etnias, mas prejudica sensivelmente a relação social entre negros e brancos principalmente porque é a população negra a mais explorada e oprimida.