África do Sul
Aumenta a pobreza dos negros no país do Apartheid

A população negra fica cada vez mais distante da minoria branca sob a ditadura da discriminação racial espalhada pela burguesia

8 de julho de 2004

A Universidade do Cabo Ocidental, na África do Sul, realizou um estudo analisando as condições econômicas entre negros e brancos. A pesquisa foi feita em diversas regiões perto da Cidade do Cabo onde a maioria da população é negra.
O resultado dos estudos concluiu que os negros na África do Sul estão ficando cada vez mais pobres, e os brancos cada vez mais ricos. Os estudos foram baseados no rendimento econômico dos brancos e negros entre os anos de 1995 e 2000, onde a renda de famílias brancas obteve um crescimento de 15% enquanto que entre os negros esta renda teve uma alta queda de 19%, se distanciando cada vez mais dos brancos em relação à renda familiar.
Outro dado que a pesquisa apontou é que em relação às regiões onde há uma maior concentração de negros, nas redondezas da Cidade do Cabo um percentual de 76% dos negros vivem abaixo da linha de pobreza. Isso quer dizer uma renda equivalente à 352 rands, ou R$ 142,00 por mês.
A maior parte dessa população é completamente despojada de trabalho assalariado. Além disso, quase um terço destes casos perderam o emprego no último ano.
Já uma outra pesquisa realizada pela administração municipal da Cidade do Cabo, divulgou que a expectativa de vida da população negra da cidade cairá para 40 anos devido à epidemia da AIDS.
A pesquisa da Universidade do Cabo Ocidental analisou também a questão da educação. Segundo a universidade, é extremamente preocupante o fato de que uma enorme parcela dos responsáveis familiares estarem desempregados.
O trabalho assalariado, ou seja, a venda da força de trabalho é uma das únicas formas de sobrevivência para a população pobre, que no caso dessas regiões atinge principalmente a população negra. Desde a era colonial até os anos de Apartheid na África do Sul, as políticas econômicas burguesas tiraram toda a subsistência das comunidades negras com o propósito de gerar mão-de-obra barata.
Um dos responsáveis pelo estudo da universidade, Cobus de Stewart, afirmou que a situação dos trabalhadores negros vem se deteriorando sem parar nas últimas duas décadas e que este fato vem desde a crise do petróleo de 1974, onde a África do Sul nunca conseguiu se recuperar.
"Os dois terços mais pobres dos negros sul-africanos viram um declínio substancial em sua renda na comparação com a inflação", disse Stewart.
Ainda a respeito da análise da educação, um dado que chamou bastante atenção aponta que os níveis de ensino não têm quase nenhuma relevância sobre as chances de se conseguir um emprego.
Por último, a pesquisa realizou também um estudo sobre o índice de pessoas que contraem o vírus do HIV, encomendado pelo governo local, dando ênfase principalmente aos negros.
A queda da expectativa de vida para 40 anos entre os negros da região poderá ainda abarcar toda a África do Sul na mesma perspectiva em um curto período de três anos. O total de infectados com o vírus em toda a África, incluindo todas as etnias, é de 27,4 milhões de pessoas.
Segundo o chefe do Departamento de Saúde do Cabo, Ivan Toms, o estudo se refere apenas à Cidade do Cabo e às localidades próximas, no entanto, os resultados podem servir como uma projeção do que poderá acontecer com o resto do país de forma muito mais acelerada. "Na verdade, estamos três ou quatro anos à frente devido ao nosso avançado programa anti-Aids", afirmou Toms.
Concluindo a pesquisa, foi comparada a expectativa de vida da população negra que vive em assentamentos informais e próximos à região turística do Cabo, onde, em média, é de 55 anos. Além disso, os mestiços, que atualmente têm uma expectativa de vida de 65 anos, devem diminuir para 55 até 2009.
Quanto mais um país é atrasado, em virtude da imposição do imperialismo, mais fica evidente os problemas históricos que a população negra, trabalhadora e explorada pela burguesia, sofre. A falta de uma resolução por parte dos países imperialistas como saúde, educação e trabalho aos países atrasados, o que reflete drasticamente na população negra, é um resultado dos verdadeiros interesses de classe burguesa, o imperialismo não permite que esses países se desenvolvam.
Nesse sentido, é fundamentalmente necessária a luta do negro, assim como no tempo do Apartheid, visando denunciar e combater o imperialismo que jamais dará a efetiva liberdade para toda a população explorada e principalmente para a população negra.