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Recessão
O iminente colapso econômico da União Européia
Números divulgados pela União Européia indicam que 14 países da união econômica estão em recessão. Outros dados apontam para uma queda média do PIB de mais de 1,5%. Resoluções do G-20 podem ter o efeito oposto ao desejado, afirma o Banco Central Europeu

A economia da zona do euro despencou 1,6% no último trimestre de 2008, enquanto que na União Européia apenas a queda foi de 1,5%, segundo dados divulgados pela Eurostat, agência de estatísticas econômicas e geográficas da união.

A contração econômica se agravou em função da queda do consumo interno, bem como de exportações e importações, tendo registrado uma retração de 0,3% no último trimestre. Os três trimestres consecutivos de queda do PIB dos países da União Européia são o atestado definitivo de que uma recessão está instalada no continente.

A definição técnica adotada, de queda por dois trimestres consecutivos para a recessão, já engloba todas as grandes economias européias, a exceção da França, que, no entanto, caminha neste mesmo sentido. A Alemanha teve queda de 2,1% do PIB no último trimestre; a Itália, 1,9%; o Reino Unido, 1,5%.

O investimento caiu 4% na zona do euro, e 3,3% nos 27 países que compõem a União. A pior situação neste aspecto é a da Espanha, com queda de 5,7% no último trimestre.

Nas exportações, o último trimestre de 2008 foi trágico para a zona do euro, com queda de 4,7% e 5% na União Européia. A Espanha, novamente, amargou o pior: uma retração de 10,1% nas exportações e quase 12% nas importações.

A entrada de outros países para a comunidade econômica, como o caso da Turquia ou dos países do Leste Europeu, conforme defende o FMI, com o intuito de salvar os países da Europa Ocidental dos altos débitos em moeda estrangeira, pode surtir o efeito contrário do desejado e arrastar a economia de todo o continente ainda mais para baixo.

No outro extremo do continente, a economia da Rússia foi atingida gravemente pela queda dos preços das matérias primas, com uma previsão de 4,5% de encolhimento até o final do ano. Tendo, ainda que superficialmente, contornado o colapso bancário, Vladmir Putin aposta na lucratividade das companhias estatais de petróleo e gás do país para tentar recuperar a economia.

 
Um tiro que sai pela culatra
 

Os planos delineados na reunião do G-20 na última semana incluem um aumento das reservas de moeda nos países da ordem de 250 bilhões de dólares, o aumento dos fundos disponibilizados ao FMI em 500 bilhões e injeções diretas na economia em torno a 350 bilhões.

O comentário de um leitor publicado pelo diário francês Le Monde resume um dos eixos motores da crise: “Os EUA criaram um déficit abissal com sua guerra com o Iraque, agora o resto do mundo, contaminado pelo endividamento deve, coagido e obrigado a participar na expansão de uma nova bolha: o relançamento das finanças globais financiadas pelos estados. Os EUA ganham três vezes: 1. bancando sua dívida; 2. enfraquecendo os outros países; 3. preservando sua posição dominante nesta derrota Iraque-financeira”.

As resoluções do G-20 foram criticadas pelo Banco Central Europeu. O presidente da instituição, Jean Claude Trichet, afirmou que as medidas são “mera criação de dinheiro” e que há um risco de que estes acordos acabem provocando subidas nos preços apesar das expectativas generalizadas dos analistas, que apontam uma tendência à baixa até depois do verão (europeu). (El País, 7/4/2009).

O plano de injetar dinheiro nos países mais fracos, os do Leste Europeu, cujo colapso pode arrastar consigo a economia da União Européia se assemelha cada vez mais à tentativa de ressuscitar um paciente na mesa de cirurgias.

Uma tabela divulgada pelo Le Monde aponta ainda os resultados da recessão em escala européia.

A maior retração do PIB foi a da Irlanda, de 1,6%, seguida das quedas no Leste Europeu (Estônia e Lituânia) situadas entre 1,3% e 0,8%. O crescimento foi menor também no Leste Europeu, tendo a Eslovênia registrado a maior queda na comparação do último trimestre de 2008 com o terceiro, uma queda de 4,1%. Mesmo as economias mais fortes do continente sofreram uma desaceleração brutal, tendo a Alemanha, por exemplo, caído 2,1%. Na comparação anual, a pior queda foi a da Lituânia, de 2,7%.

O desemprego atingiu 11,3% em 2008 na Espanha, o maior índice na Europa, seguido pela Eslováquia (9,5%), Hungria (7,8), Portugal, França e Grécia (com 7,7% cada). A Espanha continua no topo da lista, com 14,8% de desempregados em 2009, e os números apontam para um aumento generalizado do desemprego nos demais países.

A Itália é o país mais endividado, comprometendo 104,1% do seu PIB, seguida da Grécia (94,8%); Bélgica (83,9%) e Hungria (65,8%).

O comprometimento da economia européia com a especulação financeira e a dependência de um equilíbrio entre a pobreza do continente, concentrada no Leste e em alguns países mediterrâneos, condenam ao fracasso a tentativa do imperialismo mundial de impedir o colapso econômico europeu.