compartilhar
de de

O que foi New Deal?

O crack da bolsa de Nova Iorque em 1929 teve efeitos que não se reduziram apenas a falências e aumento de desemprego imediato. Mas um período de forte depressão econômica nos Estados Unidos e que também teve efeito em outros importantes países do mundo.

Com os estoques com capacidade máxima, os preços caíram rapidamente, mas mesmo assim, o prejuízo das empresas continuava. Os efeitos atingiram tanto a produção industrial como a agrícola. Os fazendeiros pagavam altas somas para armazenar produtos para não perder a produção. Com as vendas em baixa, se endividaram a ponto de entregar propriedades inteiras como forma de pagamento de empréstimos a bancos e agências financiadoras.

As vendas internas eram baixíssimas, pois os trabalhadores tinham um poder de compra muito baixo, devido aos reduzidos salários. Havia ainda o exército de desempregados que não parava de aumentar. Filas e filas de miseráveis se aglomeravam nas ruas de grandes metrópoles norte-americanas como Nova Iorque. O desemprego atingiu mais de 15 milhões de trabalhadores nos Estados Unidos, equivalente a 30% de toda a população economicamente ativa do País. Somente no período de 1929 a 1933, o desemprego deixou na miséria 27% dos trabalhadores, mais de 13 milhões de pessoas. Neste mesmo período, a produção industrial foi reduzida pela metade, a capacidade de produção foi de 54% em 1933. A receita gerada pelo mercado internacional caiu mais ainda ficando em 40% de tudo o que foi arrecadado antes da “quinta-feira negra” de outubro.

No mundo todo o desemprego aumentou provocando a demissão de pelo menos 30 milhões de trabalhadores. O PIB (Produto Interno Bruto) dos principais países imperialistas foi reduzido pela metade.

Com este verdadeiro desastre econômico em mãos, os Estados Unidos adotaram a política de intervenção estatal da economia, abandonando o liberalismo que se mostrou completamente fracassado. Esta política, apesar de toda a fanfarra neoliberal nunca mais foi abandonada, ao contrário, foi sendo cada vez intensificada. O capitalismo mundial é hoje completamente incapaz de sobreviver sem a ajuda massiva e direta do estado, outro sinal da sua completa decadência e da vigência do socialismo.

Em 1933, o então presidente eleito, Franklin Delano Roosevelt, implantou a política do New Deal, que era o controle maior do estado sobre os ramos econômicos.

Esta política consistia em fazer com que todo o ônus da crise recaísse sobre o Estado, ou seja, sobre o bolso dos trabalhadores. As medidas adotadas visavam salvar as empresas da falência total, financiando as dívidas e a produção.

Outras medidas como a construção de obras públicas de infraestrutura também foram adotadas para gerar empregos. A forte pressão do movimento operário quer promovia greves e manifestações por todo o País também obrigou o governo a aumentar os direitos trabalhistas como seguro-desemprego, instituição de salário mínimo, férias remuneradas, redução da jornada de trabalho, organização sindical etc.

O desespero do governo em conter a fúria popular dos 30% de desempregados fez com que incontáveis obras públicas fossem criadas para gerar empregos. O governo Roosevelt criou dezenas de projetos como construção de estradas, ferrovias, usinas hidrelétricas, barragens, reflorestamento de florestas e até um projeto estatal em que o governo financiava peças de teatro para dar emprego para atores desempregados.

Grande Depressão norte-americana, que devastou a economia do principal país imperialista do mundo, durou toda a década de 1930. Pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, a recessão era considerada passado e a economia recuperada.

Na verdade, após o crack da bolsa de 1929, o capitalismo mundial nunca foi o mesmo, nunca se recuperou, ao contrário das inúmeras teorias de que tenha ressurgido das cinzas. O que houve foi um aumento artificial do desemprego, por meio da indústria armamentista, ou seja, de uma indústria alimentada pelas compras estatais, que teve grande desenvolvimento durante a Segunda Guerra Mundial. Neste período, os Estados Unidos atuaram como um dos principais fornecedores de armamentos e equipamentos de guerra. Dessa forma o governo norte-americano conseguiu elevar o nível de emprego.

Um dos efeitos irreversíveis da crise econômica é o desemprego que desde 1929 continua no mesmo patamar. É um sistema criado que mantém um desemprego oficial de cerca de 10% da população economicamente ativa, mas que de fato estaria por volta de 40%.

Hoje nos Estados Unidos, por exemplo, com a crise econômica atual, o desemprego em números é equivalente aos resultados da recessão de 1929, cerca de 15 milhões sem emprego.

Foi feita toda uma operação pela burguesia para salvar o “paciente em estado terminal”. O capitalismo foi reanimado de um “infarto” fulminante, recebeu uma “ponte de safena”, ou seja, está de pé, mas seriamente debilitado.