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05 de março de 2014 10:29 AM

Golpe na Ucrânia
A divisão étnica da Crimeia
Minoria étnica no País, os russos da Ucrânia se organizaram para resistir aos xenófobos da extrema-direita que tomaram o poder em Kiev

 Mapa da Ucrânia. No sul, entrando no mar negro, a península da Crimeia.

Depois do golpe da direita na Ucrânia a população russa da Crimeia vem rejeitando o governo golpista de Kiev.

Na cidade de Sevastopol, na região, um prefeito russo foi eleito pelo parlamento local, que não aceitou o prefeito aliado de Kiev. É a primeira vez que a cidade escolhe um prefeito, que antes era apontado por Kiev, e na época da URSS era apontado por Moscou.

A Crimeia é uma península no sul do País, banhada pelo Mar Negro. A região é povoada por três grupos étnicos. Os russos são 58,5% na região, ucranianos são 24,3% e tártaros 12,1%.

Desde o século XVIII a Crimeia fazia parte da Rússia, até ser “dada” para a Ucrânia pelo líder soviético Nikita Khrushchev em 1954.

Desde o fim da União Soviética muitos russos da Crimeia consideram a região parte da Rússia. A Crimeia tem um status de região autônoma, e um referendo sobre sua independência em relação à Ucrânia foi continuamente adiado, desde 1992.

A língua russa é falada por 97% da população da Crimeia. Uma das primeiras medidas do parlamento controlado pela extrema-direita depois do golpe foi retirar o status do russo como língua oficial regional.

 

A Crimeia e o golpe em Kiev

Com o golpe em Kiev, liderado por fascistas xenófobos, as cidades russas não reconheceram o novo governo anti-russo. Em muitas dessas regiões a população organizou milícias de autodefesa contra os fascistas.

A imprensa burguesa busca apresentar a resistência ao fascismo nessas regiões como mero separatismo. No entanto, os russos são uma minoria étnica ameaçada sob o novo governo de extrema-direita.

Os partidos à frente do golpe reivindicam-se herdeiros políticos dos colaboradores nazistas Yaroslav Stetsko e Stepan Bandera, responsáveis por matanças de russos, poloneses e judeus durante a ocupação nazista na Ucrânia na Segunda Guerra Mundial.

Desde o golpe dessa extrema-direita, financiada e estimulada pelo imperialismo norte-americano, as regiões russas da Ucrânia tem tido protestos de massa contra o novo governo de Kiev, considerado ilegítimo por essas populações.