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The Economist:
Dívida pública grega é “impagável”
Segundo uma matéria publicada na revista econômica britânica, o pacote de ajuda financeira para a Grécia que está sendo discutido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e a União Europeia pode ser totalmente insuficiente para impedir a falência do País

De acordo com a revista britânica The Economist, os 85 bilhões de euros que estão sendo negociados com os órgãos europeus não surtirão efeito sobre enorme dívida pública grega.

Os problemas na economia grega estão no fato de que para “crescer” seria necessário um plano de corte de custos e aumento da produtividade, mas com a atual situação esta política está cada vez mais difícil de ser implementada.

Outra questão apresentada pela revista é o baixíssimo orçamento do governo grego. Com o atual nível da dívida grega, levando-se em conta um possível crescimento da economia e a política de elevação das taxas de juros, é praticamente impossível que a dívida seja paga. Para a The Economist a dívida grega que corresponde a 150% do PIB (Produto Interno Bruto) é “impagável”.

A economia grega possui uma forte crise de competitividade no mercado e de insolvência, ou seja, dinheiro em caixa para pagar os devedores. A nova ajuda financeira pode melhorar a competitividade, mas não vai resolver a questão da insolvência. O interessante que a revista destaca é que mesmo que o governo grego implante todas as medidas exigidas pelos órgãos europeus que estão negociando o novo pacote, a crise da economia grega vai se aprofundar.

Bola de neve

Até o momento, devido às exigências do imperialismo europeu, o governo grego aumentou o valor dos impostos em 7% do PIB, cortou gastos da Previdência e em outras áreas. Agora, com o novo empréstimo, o governo pretende realizar privatizações da ordem de 50 bilhões de euros, valor que corresponde a 20% do PIB grego. Segundo a revista esta política de privatizações é correta na medida em que libera o mercado para mais investimentos e também recolhe fundos para o País, mas ressalta que da maneira como está sendo feita, a toque de caixa, pode provocar um efeito bastante negativo sobre a economia grega. A implementação de medidas como esta, a curtíssimo prazo, deixam a economia mais fraca e sem nenhuma possibilidade de crescimento. O artigo cita o fato que outros nove países europeus, entre eles Portugal, também realizaram privatizações que resultaram na venda de patrimônio público equivalente a cerca de 20% do PIB, mas foi um programa implantado no período mais longo de 1985 a 1999.

O novo plano possibilita, em tese, que a Grécia possa disponibilizar novos títulos públicos da dívida para serem comercializados no mercado financeiro e desta forma atrair investimentos e ganhos para o País, mas com o ritmo de medidas de austeridade sendo implantadas de maneira desenfreada e sem controle vai resultar no aumento ainda mais incontrolável da dívida não deixando nenhuma garantia para os investidores de que estes títulos serão pagos. Desta forma o governo grego estaria transferindo a crise para os demais países europeus que são os principais credores da imensa dívida grega.

Uma nova ajuda financeira, a exemplo do que aconteceu no ano passado não parece que vai surtir efeito na economia grega, pois o tão falado crescimento não está produzindo aumento da produtividade e novos postos de trabalho, ou seja, crescimento real, pelo contrário a taxa de desemprego no País supera os 16%, uma das maiores da Europa.

A falência da economia grega parece algo inevitável e não é preciso ser nenhum gênio da economia para saber que o mesmo vai acontecer com outros países como Portugal, Irlanda, Espanha, Itália etc. 

Diante da crise atual nos países periféricos do ponto de vista econômico e político na Europa, o Velho Continente se vê diante de uma perspectiva sombria: naufragar em uma combinação de recessão e pressões inflacionárias conhecidas como “stagflação”.