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Mais cortes contra os trabalhadores
Falência em Portugal e mais ataque contra a classe operária
O endividamento dos países da zona do euro atingiu em cheio mais um país, Portugal. A exemplo do que ocorreu na Grécia, o governo português anunciou a implantação de um plano de cortes de salários e benefícios trabalhistas

Na nova fase da crise capitalista mundial que conta com o endividamento desenfreado de países inteiros, depois das dezenas de pacotes econômicos a Grécia foi o mais atingido e tomou medidas como o aperto ao bolso dos trabalhadores. Logo depois a Espanha, também bastante endividada aderiu ao “programa” grego e adotou os cortes aos trabalhadores. Na última semana mais um país europeu entrou na mesma onda, Portugal.

Integrante do chamado PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), grupo de países extremamente endividados da zona do euro, Portugal é o terceiro a adotar a política exigida pela União Européia para conter a crise.

As reformas irão atacar diretamente os trabalhadores com aumento do desemprego, redução de salários, cortes de direitos trabalhistas entre outras medidas como reforma na saúde, educação e outras áreas sociais.

Com este projeto o governo português pretende arrecadar 6 bilhões de euros por meio da privatização de empresas públicas, com a demissão em massa de trabalhadores públicos etc.

Os investimentos públicos também serão reduzidos de 4,9% para 2,9% ao ano.

Portugal tem um déficit público menor que o grego, mas também bastante alto, de 9,3% do PIB (Produto Interno Bruto) e pretende com estas medidas reduzir este percentual para 2,8% até o ano de 2013.

O governo português começou com o congelamento dos salários do setor público, medida idêntica a adotada na Grécia. Já planeja a privatização de empresas, ou seja, mais demissões. Na lista ainda tem aumento de impostos e a elevação da idade para a aposentadoria.

As medidas foram anunciadas na última segunda-feira, dia 8, pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, que praticamente não tem apoio algum no País, a não ser da burguesia que prefere que os cortes atinjam os trabalhadores. Para entrar em vigor, estas medidas precisam ser aprovadas no Congresso Nacional de Portugal.

Pedindo ajuda

Seguindo à risca a cartilha da União Européia para cumprir a meta de diminuição do déficit com os cortes de salários e conquistas trabalhistas, o governo grego, do primeiro-ministro George Papandreu, foi pedir ajuda financeira à Alemanha e outros países que estavam comprometidos em ajudar na crise grega.

Mas o resultado foi em vão, o governo alemão declarou que por enquanto não vai dar “nenhum centavo” para a crise grega e que espera que todo o plano de contenção de gastos seja efetuado para que os investidores voltem a ter confiança na economia do País..

Em um encontro realizado no dia 6 de março em Luxemburgo o primeiro-ministro grego recebeu uma declaração de boas intenções de todos os países que estavam representados na reunião. Todos vão ajudar a Grécia politicamente, mas ajuda financeira concreta não aconteceu.

Papandreu viajou pessoalmente para diversos países pedindo ajuda financeira para a Grécia. A França foi um dos primeiros a serem visitados e o presidente Sarkozy disse que vai ajudar a Grécia, mas não explicou em detalhes como isso vai acontecer, apenas falou que o País pode contar com o apoio francês.

O primeiro-ministro chegou a ir aos Estados Unidos também, mas não obteve muito resultado. Papandreu foi recebido pela secretária de Estado, Hillary Clinton e também com o presidente norte-americano, Barack Obama.

Por fim a secretária declarou cinicamente que os Estados Unidos não ajudarão a Grécia financeiramente, pois o governo grego já estava sabendo contornar a situação com a implantação das reformas propostas pela União Européia de cortes de salários etc.

A Grécia cogitou a possibilidade de garantir um empréstimo para tentar amenizar um pouco a crise, mas acha arriscado, pois estaria se afundando ainda mais no endividamento do País. Há também o fator de que os próprios países que poderiam ser os “emprestadores” não têm tantas condições para bancar a Grécia, pois estão endividados.

Todos estão elogiando o desempenho do governo grego em seguir religiosamente os ditames da União Européia para colocar em prática as medidas de cortes exigidas, e o discurso generalizado dos países imperialistas europeus e Estados Unidos é de que a Grécia tem que cuidar da crise sozinha, ou seja, nenhum País acredita que a Grécia vá se recuperar, por isso as apostas são quase nulas.

Mais resposta dos trabalhadores

Diante destas medidas os trabalhadores estão reagindo. Na última quinta-feira, 11, os trabalhadores gregos entraram em greve para protestar contra os cortes promovidos pelo governo para conter o endividamento do País. A greve geral realizada pelos trabalhadores, a segunda em 15 dias, foi organizada pelas grandes centrais sindicais.

Desde meia-noite do dia 10, os transportes aéreos e marítimos foram totalmente paralisados, assim como os serviços ferroviários. Dezenas de vôos e viagens foram canceladas.

Apenas uma linha de metrô funcionava em Atenas, para permitir aos grevistas o comparecimento às passeatas organizadas pelos sindicatos no centro da capital. Ônibus, bondes e demais transportes urbanos foram completamente paralisados.

Na capital de Atenas o ministério das Finanças foi ocupado pelos trabalhadores.

Novamente a polícia grega tentou conter os manifestantes utilizando a violência com cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo etc.

Já em Portugal as manifestações contrárias as medidas do governo português já começaram. Os sindicatos já avisaram que o ataque aos salários dos trabalhadores vai gerar protestos em todo o território português.

Nesta última semana os funcionários públicos já realizaram uma greve.

Enquanto as organizações sindicais portuguesas estão organizando protestos a Confederação de Indústrias Portuguesas (CIP) elogiou o governo pelo plano, ou seja, o plano é um ataque direto às condições de vida dos trabalhadores e está preservando a burguesia de arcar com a crise.

Nesta mobilização dos funcionários públicos cerca de 80% dos trabalhadores aderiram à manifestação. Escolas, tribunais hospitais etc. foram fechados em protesto.

Nova etapa da crise capitalista

Esta nova etapa da crise está mostrando que os países não têm mais reservas para “queimar” como foi feito com os pacotes econômicos num primeiro momento. Agora é o momento de cortar na carne, direto dos trabalhadores, por isso estas reformas que vão retirar diretamente do bolso o dinheiro para sustentar a crise.

A burguesia não tem mais como opção injetar bilhões de dólares na economia, pois não tem mais tantos recursos disponíveis. O momento agora é de forçar os trabalhadores a cobrir do próprio bolso os lucros dos banqueiros e especuladores.

Mas nesta nova etapa de crise também há uma mudança de comportamento por parte dos trabalhadores que estão reagindo e se negando aceitar as demissões e planos de cortes de direitos trabalhistas e conquistas operárias. As greves realizadas são uma demonstração dessa nova disposição da classe operária em nível mundial em reagir a estes ataques.

A próxima etapa vai ser de grandes lutas dos trabalhadores contra a exploração capitalista exigindo da burguesia que fique com o ônus da crise que ela mesma criou.

Tal como no Afeganistão

As eleições iraquianas promovidas pelo imperialismo foram um fracasso semelhante ao ocorrido no Afeganistão no final de 2009. O número de eleitores que compareceram às urnas foi um pouco mais que a metade. E houve um boicote generalizado aos moldes do organizado pelo Talibã, no Afeganistão.

Para tentar aparentar alguma normalidade o embaixador norte-americano no Iraque, Christopher R. Hill foi ultra-cínico em uma declaração feita a respeito das eleições, "Verdadeiramente um bom dia para a democracia no Iraque”. Esta declaração é o total oposto do que ocorreu.

Segundo dados oficiais, ou seja, manipulados, a percentagem de eleitores foi de 62% de iraquianos. No maior colégio eleitoral do País, a capital Bagdá, o índice de votantes foi ainda menor, de apenas 53%.

O resultado destas eleições mostra como a invasão imperialista dos Estados Unidos está se desmoralizando gradativamente. O comparecimento às urnas nestas eleições foi menor que o das últimas eleições parlamentares que aconteceram em 2005. Nesta ocasião o comparecimento tinha sido de 76% de eleitores.

O governo iraquiano, capacho do imperialismo, colocou as cidades onde ocorreram as eleições em um estado policial, onde os eleitores eram forçados a votar. Mas ao mesmo tempo diversos atentados foram promovidos por vários grupos nacionalistas contrários à invasão imperialista nos Estados Unidos.

A força do boicote organizado pela resistência iraquiana foi tão avassalador que os generais norte-americanos tentaram a todo custo esconder o impacto da campanha contra as eleições.

O responsável pelas operações norte-americanas no Iraque, o general Ray Odierno tentou amenizar os efeitos do boicote declarando que foram poucos os locais onde houve boicote e até mesmo os atentados que aconteceram na periferia de Bagdá no dia da votação foram apresentados como sendo de baixo impacto e sem resultado efetivo. Estas afirmações de Odierno soaram tão falsas que até mesmo o próprio governo iraquiano declarou o contrário, de que houve oito explosões na região Noroeste de Bagdá.

Estas eleições fracassadas do imperialismo no Iraque até o momento não apresentaram resultados oficiais o que demonstra que estão querendo esconder mais este fracasso da intervenção imperialista no País. Isto também indica que os planos de retirada das tropas do País não vai se concretizar tão cedo apesar da afirmação do governo Obama de que o plano retirar os soldados do Iraque ainda está mantido.

Mais protestos

Na última semana os protestos populares contra os governos continuaram. No domingo dia 7, mais uma manifestação espontânea da população contra a força policial aconteceu na cidade de São Paulo. Foi na noite de domingo na zona Sul da capital paulista, no bairro do Jabaquara. O protesto reuniu pouco mais de 50 pessoas, moradoras da favela da Imprensa que estavam se manifestando contra a ação da polícia no local que provocou o ferimento a bala de um morador da favela. A população paralisou uma das principais avenidas da região, Engenheiro Armando de Arruda Pereira. A avenida foi interditada pelos moradores que fizeram barricadas com pedaços de madeira e pneus queimados. O protesto durou mais de quatro horas tendo início no começo da noite, às 18 horas. Os manifestantes também enfrentaram a polícia com fogos de artifício. Após o protesto a polícia montou guarda na favela para impedir que outros protestos acontecessem.

Este é o segundo protesto espontâneo que ocorre na cidade de São Paulo em duas semanas. Protesto semelhante ocorreu na zona Leste da capital, no bairro Itaim Paulista, onde a polícia também permaneceu para conter os protestos.

Outra manifestação da mesma natureza, contra a polícia, aconteceu no município de Tracuateua no estado do Pará. Onde os moradores da cidade além de entrarem em confronto direto com a polícia, apedrejaram e incendiaram a delegacia da cidade.

A manifestação durou quatro horas e causou a morte de dois moradores que foram mortos pelos policiais e outras cinco pessoas ficaram feridas. O protesto que aconteceu na segunda-feira, dia 8, teria ocorrido por causa do assassinato de uma mulher. A população foi protestar na frente da delegacia, contra a polícia, pois o suposto assassino da mulher não estava no local. O protesto possibilitou que os presos que estavam na delegacia fossem libertados.

Este protesto mostrou claramente como a população estava extremamente radicalizada, pois foi dirigido diretamente contra a força policial.

Este protesto no Pará e o na zona Sul de São Paulo demonstram mais uma vez a tendência a radicalização da população trabalhadora frente ao órgão repressor e ao próprio estado burguês. Nos últimos meses dezenas de protestos semelhantes a estes ocorreram em diversas cidades do País. Protestos contra enchentes, ocupação militar nas favelas do Rio de Janeiro e até mesmo instituições como delegacias, fóruns municipais, câmaras legislativas etc.

Estas manifestações espontâneas da população trabalhadora nos bairros mostram uma mudança na disposição dos trabalhadores, que não suportam mais o nível de opressão e exploração dos governos e estão passando cada vez mais a se mobilizar por melhores condições de vida.

É necessário que a população trabalhadora mantenha as manifestações e também deve ampliá-las. O direito de manifestação política deve ser amplamente garantido para os trabalhadores. Esta deve ser uma resposta dos trabalhadores contra os constantes ataques da burguesia.