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A crise do imperialismo
Obama viaja para tentar emendar relações com o governo afegão
Em uma visita surpresa de curta duração, o presidente norte-americano falou às tropas e teve uma reunião com Hamid Karzai para tentar recuperar o plano que já está ameaçado pela situação caótica do país

Em sua primeira visita ao Afeganistão como presidente norte-americano, Obama destacou que ainda não está satisfeito com o governo afegão de Hamid Karzai.

A preocupação oficial apresentada é com o fato de que o governo eleito em eleições completamente fraudulentas não está “combatendo” a corrupção e o tráfico de drogas o suficiente. Obama reafirmou que conta com que Karzai cumpra os compromissos feitos – que levaram ao apoio norte-americano à sua reeleição.

As relações entre o governo norte-americano e a administração de Karzai no Afeganistão foram abaladas principalmente pela ampla fraude eleitoral no ano passado. O presidente afegão deve retribuir a visita em maio deste ano, para aprofundar as discussões iniciadas nesta segunda-feira.

A visita de Obama precede uma nova ofensiva militar norte-americana nos centros urbanos. A “caçada” ao Talibã em seus esconderijos faz parte das operações que justificaram o envio de mais 30 mil soldados norte-americanos ao país. Apenas alguns milhares chegaram até agora.

A viagem secreta ao Afeganistão serviu ainda à tentativa do governo Obama recuperar parte de sua popularidade. A imprensa norte-americana ressaltou o fato de a viagem ter sido realizada na mesma semana em que o governo aprovou sua reforma do sistema de saúde como uma demonstração de que o presidente é capaz de lidar com diversas questões cruciais ao mesmo tempo.

A situação caótica do Afeganistão – onde as tropas invasoras se deparam com a resistência promovida pelo Talibã com o apoio das comunidades tribais em todo o país – vem dificultando a execução do plano delineado no ano passado.

Para que a ofensiva militar tenha êxito, o imperialismo precisa estabelecer um regime confiável no poder, um governo civil estável que sirva de cobertura para a efetiva dominação militar norte-americana.