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Universidade Candido Mendes
Lutar pela estatização da universidade
A crise de uma das universidades mais antigas do Brasil e mais tradicionais do Rio de Janeiro levanta a necessidade de um programa diante da falência generalizada das universidades particulares

Após ter vivido a maior crise de sua história no começo deste ano a Universidade Candido Mendes (Ucam) atravessa outro período de crise com os salários de professores e funcionários atrasados desde agosto. 

Como resposta as duas categorias estão há quase dois meses em greve, exigindo não apenas o pagamento dos salários atrasados, mas também de uma série de benefícios que se encontram em situação de atraso ainda maior. Alguns números dão o tamanho da crise da instituição. A dívida da universidade com o INSS chega a R$23 milhões e o atraso no pagamento do FGTS ultrapassa a quantia de R$ 48 milhões. Há ainda dívidas com ações trabalhistas e com a Caixa Econômica Federal, algo em torno de R$ 20 milhões cada. Por fim, a universidade tem débitos em exercícios fiscais que ultrapassam três milhões de reais.

Além das dívidas acumuladas a universidade tem um grande déficit de arrecadação mensal que está em torno de 20 a 25%. Estes números não deixam dúvida. A universidade está à beira da falência.

Uma coisa que também não deixa a menor dúvida é que uma das principais políticas adotadas pelos capitalistas que administram a universidade é fazer com que professores, funcionários e estudantes paguem a conta pela situação de crise; seja com o atraso e o arrocho salarial imposto aos dois primeiros, seja com altas taxas de mensalidades no caso dos últimos.      

Por tudo isso foi realizada há poucos dias uma manifestação dos estudantes do curso de Direito em frente ao prédio do MEC no Rio de Janeiro contra a administração da universidade, a responsável pelo atual estado em que a Universidade Candido Mendes se encontra.

 

Nem intervenção, nem dinheiro público para os capitalistas. Estatizar a universidade

 

Uma das questões importantes levantadas pela crise da Ucam é que ela demonstra que nãos e trata de algo restrito às universidades de pequeno porte. A universidade é uma das mais antigas do Brasil e mais tradicionais do Rio de Janeiro.

Para tentar solucionar a crise setores da administração universitária te e do sindicato de funcionários e professores tem levantado várias propostas. Estas propostas variam desde uma intervenção do Ministério da Educação (MEC) para colocar às contas em ordem e depois repassar a instituição à atual administração até a tentativa de obter um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para quitar parte das dívidas.

Tanto em uma como em outra o problema fundamental não é resolvido como serve para que estudantes, professores e funcionários continuem “pagando a conta” para os capitalistas terem lucro.

A crise das universidades particulares é algo generalizado. São dezenas, se não centenas de instituições particulares à um passo da falência. Ela está diretamente relacionada a crise econômica e aos ataques à renda da população e aparecem na universidade por meio de uma alta taxa de estudantes que não conseguem pagar as mensalidades (na UCAM o curso de Direito, o principal da universidade, tem uma mensalidade que varia entra R$ 1,3 mil e R$ 2 mil), e ficam endividados.

Inclusive, a proposta de obter um empréstimo com o BNDES para quitar parte das dívidas é ainda pior, porque irá garantir os lucros dos capitalistas do ensino por meio do dinheiro público, ou seja, dinheiro da população e que deveria ser investido em suas necessidades mais vitais. 

A solução para a crise está na luta para acabar com os privilégios obtidos por estes donos de universidades através da exploração da educação e do parasitismo do Estado. A única forma de garantir isto é a estatização da universidade, que só pode ser conquistada por meio de uma luta contra a política e os interesses dos capitalistas do ensino e do próprio governo que age o tempo todo para favorecê-los.