compartilhar
de de

Unifesp
Reitoria ataca estudantes negros
Reitoria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) cortou a bolsa-auxílio dos estudantes negros que ingressaram pelo sistemas de cotas e que não cumpriram as repressivas normas acadêmicas

É mais um ataque da burocracia universitária a um direito dos estudantes, e que tem como objetivo cortar ainda mais a ínfima verba destinada à assistência estudantil para entregá-la aos capitalistas (fundações privadas) ou simplesmente desviar o dinheiro através da corrupção. 

Nas universidades públicas de todo país têm sido constante os cortes de verbas no dinheiro público que deveria ser investido para melhorar as condições de ensino e permanência. Este dinheiro, porém, é utilizado para atender a interesses de uma camada de burocratas que dirigem as universidades como podemos observar no escândalo de corrupção que envolveu Reitores de diversas Universidades federais que usaram o cartão corporativo, ou seja, utilizaram dinheiro público para comprar artigos de luxo para uso pessoal. O caso mais escandaloso é o do Reitor da UNB (Universidade de Brasília) que gastou R$ 500 mil em dinheiro público  para a reforma de seu apartamento. Na Unifesp, que também teve seu Reitor, Ulysses Fagundes Neto, envolvido em caso de corrupção semelhante, a burocracia universitária realizou mais um ataque aos estudantes, em particular aos estudantes negros que ingressaram pelo sistema de cota racial, impondo a estes restrições para a renovação da bolsa-auxílio no valor de R$ 300,00 que recebem mensalmente.   

Estes estudantes, que são negros que estudaram o Ensino Médio em escolas públicas e que representam 10% da Universidade não estão podendo mais renovar suas bolsas-auxílio caso sejam reprovados em alguma disciplina, seja por nota ou freqüência. Este critério, que começou a vigorar no início deste ano já deixou uma grande parte destes estudantes sem o auxílio. Eles também são vítimas de um total descaso, pois não conseguem obter informações a respeito quando questionam a universidade. 

A política do governo Lula , assim como de seus antecessores e governadores estaduais, é de impedir que os estudantes possam ter acesso ao ensino e completar seu curso. Existe toda uma política que tem como objetivo tirar os estudantes da universidade para desta forma, cortar ainda mais verbas. Da regra do jubilamento (exclusão com cancelamento de matrícula para alunos que não cumprirem requisitos como presença, aproveitamento acadêmico, tempo de conclusão do curso) ao corte constante nas restritas bolsas-auxílio. A política implementada pelo governo Lula é a de diminuir cada vez mais o investimento na educação pública para, com este dinheiro, atender ao interesses de fundações, empresas privadas que atuam nas Universidades, ou para simplesmente desviá-los para corrupção.

Os estudantes negros, assim como toda a população negras , são a parcela da população com menos direitos e mais explorada, justamente aqueles que mais tem dificuldades em manter-se na universidade e dar seqüência aos seus estudos. A Reitoria da Unifesp que ano passado mandou a Tropa de Choque invadir a universidade para reprimir a ocupação da Diretoria Acadêmica pelos estudantes e abriu processo de sindicância para punir os que lutaram em defesa da universidade pública e que está envolvida no escândalo de corrupção dos cartões corporativos por roubar mais de R$ 300 milpara satisfazer seus deleites pessoais, promove mais um ataque contra a mísera assistência estudantil que existe. 

Os estudantes devem se organizar, realizar uma ampla campanha de denúncia contra a exclusão das bolsas-auxílio dos estudantes negros e que todos que perderam suas bolsas voltem a recebê-las sem qualquer forma de restrição. É necessário também uma campanha contra a burocracia universitária que vive às custas do dinheiro da universidade. O dinheiro que falta para a assistência estudantil sobra para a burocracia universitária que desperdiça dinheiro público em farmácias e restaurantes de luxo.