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02 de abril de 2014 11:23 AM

Rio Grande do Sul
Justiça obriga mulher a fazer cesariana à força
Juíza mandou oficial de Justiça e Policiais Militares à casa da gestante Adelir Carmem Lemos de Goes. Eles a levaram à força ao hospital, onde a submeteram a uma cesariana contra sua vontade

 Adelir Carmem Lemos de Goes
 (Foto: Imagem da internet)

O Ministério Público do Rio de Grande do Sul acionou a Justiça do Estado para obrigar a gestante Adelir Carmem Lemos de Goes a fazer uma cesariana contra a sua vontade.

A médica que estava atendendo Adelir determinou que ela deveria passar por uma cesariana, alegando que seu bebê estava sentado e que ambos corriam risco de vida.

Adelir desconfiou do parecer médico e afirma que não foi demonstrado para ela que de fato seu bebê estava sentado dentro da barriga. Já tendo sido submetida a duas cesarianas anteriormente, Adelir resolveu ir para casa, assinou um termo de responsabilidade e decidiu ter o filho por parto normal.

A médica Andreia Castro então tomou a decisão de acionar o Ministério Público do Rio Grande do Sul. O MP então acionou a Justiça com o argumento de “proteção à vida” do bebê e de Adelir.

A juíza Liniane Maria Mog da Silva aceitou o pedido do MP e determinou que Adelir fosse forçada a fazer a cesariana.

O marido de Adelir afirmou que ela estava em trabalho de parto em casa quando um oficial de Justiça bateu na porta da casa com policiais e a obrigou a entrar em uma ambulância e seguir para o hospital para ser submetida à uma cesariana

A medida é completamente absurda e fere totalmente a liberdade de escolha da mulher de decidir sobre si mesma e sobre o nascimento do seu próprio filho.

O que aconteceu com Adelir abre um precedente extremamente grave para todas as mulheres. Uma vez que a Justiça possa acatar as decisões de um médico e obrigar mulheres a fazerem cesarianas ou se submeterem a qualquer procedimento médico acabou totalmente o direito das mulheres de decidir sobre sua própria vida.

Há inúmeros exemplos de pessoas que não querendo se submeter a determinado procedimento médico assinam um termo de responsabilidade e decidem correr determinados riscos.

Depois do aconteceu com Adelir, as pessoas podem ser buscadas por oficiais de Justiça em casa e obrigadas a passar por qualquer procedimento médico, contra sua própria vontade, em nome da “proteção à vida”.

É como se o Estado e suas instituições tivessem o direito de decidir sobre que procedimento médico a pessoa deve ser obrigada ou não passar.