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Pesquisa sobre violência doméstica
Mulheres agredidas não deixam o marido por dependência econômica
Pesquisa indica ainda que mulheres que sofrem agressão doméstica têm medo de morrer em decorrência da violência cometida por companheiros ou ex-companheiros agressores

Pesquisa recentemente publicada pelo Instituto Ibope indica que mais da metade da população brasileira conhece pelo menos uma mulher que sofreu ou sofre agressões de seu parceiro.

Segundo a pesquisa 24% dos entrevistados confirmaram que a falta de condições econômicas para viver sem o companheiro são a principal razão para essas mulheres se mantenham atreladas a seus agressores e que muitas dessas mulheres não abandonam o agressor com medo de serem mortas caso rompam a relação.

“O medo da morte foi citado em maior porcentagem pelos segmentos de menor poder aquisitivo e menos escolaridade e pelos entrevistados mais jovens.”  O que confirma o grau de vulnerabilidade das mulheres, tanto do ponto de vista econômico, quanto de segurança pessoal, física e psicológica. Inclusive porque muitos assassinatos acontecem quando a mulher decide romper com a situação de violência, o que reflete o sentimento de propriedade que o homem sobre a mulher.

A pesquisa do Instituto Avon/Ibope ouviu 2002 pessoas entre 12 e 17 de fevereiro de 2009. A amostra tem 52% de entrevistados do sexo feminino e 48% do masculino, todos com 16 anos ou mais.

E mais de 59% dos entrevistados afirmou também a mulher não pode confiar na proteção das instituições jurídicas e policiais, reconhecimento de que o Estado não protege a mulher.

O que acontece é justamente o contrário, ao recorrerem às instituições do Estado para procurar ajuda, como por exemplo, numa delegacia de mulheres que supostamente seria uma central especializada no atendimento de mulheres vítimas de violência inclusive em casos de estupro, elas são desacreditadas e até desencorajadas de registrarem ocorrência etc.

Quando na pesquisa foi feito o questionamento sobre “temas que mais preocupam a mulher brasileira atualmente”, a violência doméstica teve mais destaque, mas é interessante destacar o crescimento sobre o debate e a preocupação com temas relativos com o Planejamento Familiar.

Numa comparação entre pesquisas realizadas em 2004, 2006 e 2009 houve um crescimento significativo na preocupação com o crescimento de casos de Aids entre as mulheres (de 26% em 2004 para 51% em 2009).

Quando o questionamento foi sobre métodos contraceptivos o crescimento foi de 20% em 2004 para 31% em 2009. Crescimento ainda maior teve a discussão sobre a Legalização do aborto que subiu de 9% para 22%.

Diante da realidade de que 98% dos casos de violência contra as mulheres os responsáveis são os companheiros ou ex-companheiros. Nesse sentido, o problema da dependência economia se agrava quando as vítimas da violência são mulheres do campo. Tanto que as informações sobre a violência doméstica no campo são mínimas, e as políticas públicas não enfocam essa realidade.

E um dos problemas que essas mulheres enfrentam é a dificuldade com a titularidade de terras. Apenas 12% das mulheres brasileiras possuem a titularidade de terras. O que gera outro problema, a dificuldade de conseguir crédito em instituições financeiras.

Todos esses números mostram a crise da sociedade capitalista que, na medida em que se desenvolve, que desenvolve os meios de produção para o enriquecimento social, não é capaz de dar uma solução para o problema da opressão da mulher, que a cada dia, sofre mais com a violência doméstica e não encontra nos governos burgueses qualquer política de resolução do problema. 

Combater a violência contra as mulheres é combater o regime de exploração que coloca a mulher numa condição subalterna na sociedade, obrigando-a submeter-se às mais degradantes situações e ainda banaliza e legitima a violência porque compreende a mulher, a esposa como propriedade do homem, e como tal dela ele pode dispor ao seu bel prazer.

Nesse sentido é importante ressaltar que a luta pela libertação de toda sociedade passa pelo reconhecimento da mulher como ser humano, autônomo, livre e independente.