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01 de julho de 2013 10:59 AM

504 ruralistas formam a lista
Deputados, prefeitos e ex-ministro de Collor são incluídos na lista de ruralistas que possuem trabalhadores escravos
Somente esse semestre, oito políticos foram incluídos nessa lista e há denúncias envolvendo a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), uma das representantes da bancada ruralista no Congresso Nacional

 O deputado federal João Lyra foi descoberto após a libertação de 207 trabalhadores encontrados em sua fazenda em 2011

Nessa sexta-feira, dia 28, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou a lista dos ruralistas cujos empregados foram encontrados em situação de trabalho escravo.

Ao todo, são 504 empregadores listados. Essa relação é atualizada semestralmente desde o final de 2003. Nesse semestre foram incluídos 142 nomes.

Um dos deputados incluídos na lista é João Lyra do PSD de Alagoas, que também é o deputado eleito em 2010 com o maior patrimônio declarado – R$ 240 milhões. Ele é um dos políticos mais ricos o Nordeste, possui dez empresas de agroindústria sucroalcooleira e de fertilizantes e adubos, além de companhias dos setores automobilísticos, de transportes aéreos e hospitalar em Alagoas, Bahia e Minas Gerais.

Lyra foi descoberto após a libertação de 207 trabalhadores mantidos em regime de escravidão nos canaviais da unidade de Capinópolis (MG) da usina do grupo que carrega o nome do deputado em agosto de 2011.

Em 2008, outros 53 trabalhadores foram encontrados na mesma situação na usina Laginha de União dos Palmares (AL), do Grupo João Lyra.

Uma decisão judicial já havia determinado que sete empresas do grupo, entre elas, Laginha, fossem impedidas de fazer contratações.

Outro político que integra a lista é Antônio Cabreira, ex-ministro da Agricultura no governo de Fernando Collor e ex-secretário estadual da Agricultura de Mário Covas (PSDB). Foram encontrados 184 trabalhadores escravos na sua fazenda em Limeira do Oeste, em Minas Gerais, em 2009. Eles eram obrigados a cumprir jornadas de até 33 horas, não tinham acesso a água potável e tinham de adquirir suas próprias ferramentas de trabalho.

O terceiro deputado federal presente nessa lista é outro tucano, Urzeni Rocha, de Roraima. Foram encontrados 26 trabalhadores escravos em sua fazenda de criação de gado na região Norte. Outros três políticos também fazem parte da lista: o deputado estadual Camilo Figueiredo (PSD-MA), o prefeito de Manaíra (PB) José Simão de Souza e o ex-prefeito de laçu (BA) Adelson Souza de Oliveira.

Na fazenda de Camilo Figueiredo no Maranhão, foi constatado que a água consumida pelos trabalhadores era a mesma utilizada pelos animais da propriedade, retirada de uma lagoa imunda, onde os empregados também tomavam banho.

A principal representante da bancada ruralista no Congresso Nacional, a senadora Kátia Abreu (PSD – TO) também foi denunciada por manter trabalhadores escravos em suas fazendas.

Não é por acaso que Kátia Abreu é uma das principais representantes dos latifundiários e do agronegócio, tendo presidido várias associações rurais, sendo atualmente presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Em 2012, 56 trabalhadores escravos foram encontrados na Fazenda Água Amarela, em Araguatins (TO), registrada no nome do irmão da senadora, André Luis de Castro Abreu.

Esses políticos atuam no Congresso Nacional para favorecer seus interesses, como barrar a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo, que prevê a desapropriação de imóveis rurais que tenham trabalhadores escravos.