compartilhar
de de

Caso Jena-6
Mais de 60 mil negros protestam contra a segregação racial nos EUA
Embora a segregação racial seja proibida nos EUA, toda a estrutura social em vários estados, principalmente no Sul
Embora a segregação racial seja proibida nos EUA, toda a estrutura social em vários estados, principalmente no Sul, continuam funcionando de forma velada contra as condições de vida dos negros
 
Dezenas de milhares de negros se manifestaram na quinta-feira (20) na cidade de Jena, em Louisiana, nos EUA, para protestar contra a decisão da Justiça local em condenar à prisão seis adolescentes negros acusados de "tentativa de assassinato por espancamento" de um adolescente branco.

Os conflitos raciais na cidade já vinham acontecendo desde agosto de 2006, quando três brancos colocaram duas cordas para enforcamento amarradas na árvore de uma escola após negros terem "desrespeitado" uma linha imaginária que separava os negros dos brancos. Poucos dias antes, estudantes negros haviam se sentado no que seria o setor dos brancos, em protesto à segregação racial, exatamente como faziam os estudantes negros da década de 50, durante a Lei de Segregação Racial.

Os três estudantes brancos foram acusados de terem amarrado as cordas na árvore e o diretor da escola recomendou a expulsão de todos eles. No entanto, o superintendente escolar, que é branco, não acatou a decisão, provocando a ira da população negra.

Enquanto brancos racistas foram inocentados de qualquer tipo de provocação, os estudantes negros acusados de espancamento foram todos condenados até 22 anos de prisão por um júri formado somente por brancos.

Durante o julgamento, testemunhas em favor de Justin Barker, o estudante que foi agredido, afirmaram que ele havia apanhado numa briga, mas que não precisaria ter sido hospitalizado. Foi também encontrado inconsciente.
Mesmo assim os estudantes acusados foram condenados e presos, enquanto que os brancos, responsáveis por uma agressão muito pior, continuam impunes.

A cidade de Jena conta não mais que três mil habitantes, sendo que 85% são brancos e 12% são negros, segundo o último Censo.

A mobilização em torno do caso que ficou conhecido como Jena-6 (nome da cidade e número dos condenados) já é considerada a maior realizada pelos negros norte-americanos desde a luta pelos direitos civis entre as décadas e 50 e 60.

Embora a lei de segregação racial seja proibida nacionalmente desde 1963, muitos estados sulistas continuam na prática renegando a população negra. Em certos lugares a situação é praticamente idêntica à época da segregação ou das leis Jim Crow, que proibiam os negros de terem acesso aos mesmos lugares públicos que os brancos.

Há também inúmeros casos de espancamento contra negros. Em um deles, um branco chegou a sacar uma pistola e ameaçar de morte um negro, mas até hoje nenhum branco foi punido. Já os seis estudantes negros correm o risco de pegarem até 100 anos de prisão, um eufemismo para não falar em prisão perpétua.

"Não há nenhuma dúvida: os brancos e os negros são tratados de formas diferentes aqui", afirmou Melvin Worthington, o único negro que faz parte do conselho administrativo da escola de Jena.

Esta declaração pode ser comprovada de acordo com os dados da associação Urban League. Pesquisas mostraram que os negros, apesar de ser minoria nos EUA (apenas 11%), têm chances muito maiores de serem detidos e presos: 24,4% dos negros detidos em 2005 terminaram na prisão, enquanto que somente 8,3% dos brancos foram presos. Além disso, a sentença contra um negro é 15% mais longa que a de um branco.

O caso apareceu em toda a imprensa norte-americana e mundial. O presidente George W. Bush declarou que o FBI monitorava a situação e se disse "triste" com a crise. No entanto, ele é o primeiro a tirar o corpo fora quando o assunto é defender a população negra dos EUA, vide os acontecimentos do furacão Katrina, em 2005, que deixou milhares de pessoas, a esmagadora maioria negros, sem comida e água na cidade de Nova Orleans, localizada no mesmo Estado onde fica Jena.

Nesse sentido, a população negra continua sendo discriminada e sem os mesmos direitos que os brancos, uma situação insustentável encoberta pela falsa ideologia "democrática".