compartilhar
de de

Portugal
Milhares protestam contra o racismo e a perseguição contra imigrantes

Mais de 30 organizações sindicais, anti-racistas, culturais, de direitos humanos e organizações de esquerda se reuniram no domingo (15) em Lisboa para protestar contra as leis racistas e de repressão aos imigrantes em vários países da Europa.

"Um imigrante legalizado que queira mandar vir à mulher e um filho tem de ganhar em média entre 800 a 900 euros por mês para o poder fazer. Para renovar documentos também tem de apresentar salários iguais ou superiores ao valor do salário mínimo" disse Lusa Timóteo Macedo, presidente da associação Solidariedade Imigrante, ao se referir às duras exigências que um imigrante sofre em Portugal para desestimulá-lo a ficar no país.

 Segundo os organizadores da manifestação, atualmente existe cerca de 60 mil imigrantes ilegais esperando a regularização de seus documentos em Portugal. A esmagadora maioria dessas pessoas são trabalhadores que ganham salários baixíssimos sem nenhum direito trabalhista. Em muitos casos estes imigrantes são convencidos a servirem como bucha de canhão à serviço do imperialismo para conquistarem a tão sonhada cidadania.

"Usam os imigrantes como bodes expiatórios para os problemas gerais da sociedade. Por isso, aumenta a insatisfação e revolta, especialmente junto dos jovens”, disse Macedo

Os serviços exercidos pelos milhões de imigrantes ilegais nos países da Europa e nos EUA são a base de sustentação da economia desses países e são exercidos principalmente por imigrantes latino-americanos e africanos, ou seja, dos países mais explorados. Sucessivas medidas repressivas contra os imigrantes vêm sendo adotada em toda a União Européia como forma de criminalizar e expulsar não só os imigrantes ilegais, mas também os que estão de acordo com as leis exigidas.

A onda de perseguição aos imigrantes, incentivado pela direita vem provocando a xenofobia e o racismo contra as camadas mais desorganizadas da sociedade.

Segundo documentos mostrados pela Anistia Internacional, existe cerca de 300 processos acumulados em 2007 e os dados que mostram o racismo e a xenofobia no país continua crescendo, apesar de muitas pessoas não registram as queixas, pois desconhecem o mecanismo e a forma de fazê-los ou então receiam serem deportadas, além na ineficiência dos resultados após as denúncias.

Recentemente, 36 pessoas foram julgadas por pertencer ao grupo neonazista Hammerskin Nation, uma seção portuguesa de um dos maiores grupos racistas dos EUA, que prega a supremacia branca e usa a violência como forma de intimidar os negros, imigrantes e as minorias étnicas. Dos indivíduos que foram julgados, apenas seis foram condenados e os demais tiveram as suas penas suspensas.

De acordo com o mesmo documento, a extrema-direita vem se fortalecendo cada vez em torno do partido de extrema-direita PNR (Partido Nacional Renovador), fundado em abril de 2000.

Com uma grande campanha anti-imigração, o sítio do PNR coloca na abertura de sua página o slogan em letras garrafais: “Imigração: nos dizemos não! Basta de abusos”.

O documento fala ainda da integração da extrema-direita no sistema político após a criação do partido e o aumento de casos ligados a pessoas com a mesma ideologia do partido.

O estudo mostra que os mais afetados com a onda racista em Portugal são os ciganos e os negros, sendo as atitudes anti-semitas e “islamofóbicas” mais baixas do que nos demais países europeus.

O racismo e a política anti-imigração aumentou consideravelmente após os atentados de 11 de setembro, quando os governos imperialistas adotaram o slogan de “combate ao terrorismo” para iniciar uma caça às bruxas e perseguir sistematicamente os imigrantes pobres e negros.