Uma tentativa de reescrever sorrateiramente a Constituição

sábado, 28 de junho de 2008

O lobby da direita dirigido pela Igreja Católica que colocou em marcha uma campanha de perseguição policial às mulheres a pretexto de combater o aborto, tem como objetivo modificar a Constituição sem passar por qualquer deliberação democrática.
Este lobby inventou uma caracterização completamente arbitrária da “vida”, baseada em seus preconceitos religiosos. Sabedores de que tal interpretação causaria um enorme debate nacional em oposição, com diversas conseqüências jurídicas, procuravam sorrateiramente adaptar a Constituição atual aos seus dogmas arbitrários.
Sua ação junto ao STF, bem como a sua oposição à legalização do aborto, está baseada na idéia arbitrária de que a vida começa na concepção e que, diante disso, o próprio óvulo fecundado teria personalidade jurídica a ponto de ser considerado homicídio terminar o processo de gestão a partir daí em qualquer momento.
As conseqüências jurídicas desta mudança seriam enormes e os juristas da Opus Dei como o membro do STF, Carlos Alberto Direito, sabem muito bem disso.
Daí, ao invés de abrirem uma discussão sobre a natureza da Constituição Nacional que determina a vida a partir do nascimento, propõem-se, através de manobras jurídicas, como a recente Ação de Inconstitucionalidade Direta sobre a questão das células-tronco, modificar a Constituição através do método da “interpretação” da Constituição.
Por esta audaciosa tentativa pode-se ver o quanto vale o Estado de direito no Brasil, ainda mais quando a idéia de “injúria” está sendo usada para implantar um sistema de censura à imprensa generalizado no Brasil.
São leis de mera aparência, que as autoridades usam e abusam de acordo com seus interesses de momento.
A incoerência do tribunal não poderia ser maior. Julgou improcedente a proibição das pesquisas em células-tronco, mas reforçou a lei de biossegurança que prevê limitações à pesquisa científica baseada em nada mais nada menos que a “defesa da vida” dos religiosos juristas.
Os métodos do lobby de direita mostram qual é a sua verdadeira política. Infiltram pessoas nas instituições por meio de um grupo de pressão junto ao executivo e procuram mudar a Constituição não em um debate democrático, mas pelas costas do povo, através do STF.
Dizem-se humanitários que prezam tanto a vida que querem que os embriões sejam considerados pessoas, mesmo quando congelados em laboratórios. No entanto, estes piedosos humanitários querem que a polícia e a penitenciária sejam os instrumentos da sua humanidade e da sua piedade, colocando mulheres na cadeia apenas para reforçar as suas teses político-religiosas. A proteção à “vida” inexistente seria dada por um monstruoso sistema policialesco, de tipo fascista, que estabeleceria a vigilância contra a mulher, esta pecadora, perdão, criminosa eterna aos olhos da Igreja.
Outra manifestação de cinismo está em que o lobby “em defesa da vida” só se preocupa com a vida dos óvulos. A mesma campanha não merecem os vivos que não são apenas ovos.
O lobby “em defesa da vida” é, portanto, apenas uma direita, com ideologia obscurantista, exploradores da religião que busca uma aliança com o estado capitalista escravagista, torturador, assassino e defensor da minoria de ricos capitalistas contra a esmagadora maioria de pobre, explorados e oprimidos do Brasil.

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Comentários:

Nome: Alexandre Oliveira
Cidade: Canoas/RS

Mensagem: Boa tarde companheiros! Isso só prova que a revolucão através das massas,só tera êxito com uma frente armada,como já dizia nosso amigo ernesto, temos que nos organizar mundialmente para uma grande batalha,contra o imperialismo das grandes potencias,temos que por fim nisto,começando pela grande sombra do imperialismo o brasil.




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