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Revista Móbile - Entrevista
Respostas do candidato do PCO, Rui Costa Pimenta, à Revista Móbile
1)Que conseqüências o senhor acredita que este momento pré-eleitoral deve trazer para o varejo e o consumo?
Resposta: O consumo e a movimentação da economia, em geral, atravessam um momento de baixa, com características recessivas. O único setor que apresenta uma tendência ao crescimento é, justamente, o ligado às demandas geradas pela própria eleição (papel, gráficas etc).
Embora vivamos um momento pré-eleitoral, não é esta a razão central do problema. A crise econômica e política que perpassa o país tem raízes mais profundas do que as instabilidades políticas decorrentes da disputa eleitoral. Estas instabilidades, aliás, é que são fruto da crise.
As eleições inscrevem-se em um contexto de gigantesca crise do regime político brasileiro. Os quase oito anos de Plano Real evidenciaram, através de seus inequívocos sinais, que o país caminha para uma crise similar à da vizinha Argentina. Essa situação é produto direto do fracasso do Plano Real, a exemplo do que aconteceu com os demais países que seguiram as receitas impostas pelo FMI. Em nome do controle do inflação, vieram medidas como as privatizações, os cortes de gastos públicos e a abertura do mercado nacional aos grandes monopólios estrangeiros, esta última gerando recessão, fechamento de parte considerável das empresas nacionais e desemprego na casa dos 20%, entre outros.
Por outro lado, o aprofundamento da crise em países como Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai etc. é um reflexo direto da crise maior, que acontece no coração do capitalismo. O desabamento de empresas gigantes, como a Enrom e a WordCom (que controla a brasileira Embratel), além de sucessivos escândalos que resvalam no próprio presidente Busch, têm provocado queda nas bolsas do mundo inteiro e uma instabilidade econômica muito grande. Estes acontecimentos, aliados a uma persistente recessão na economia norte-americana, levam o imperialismo a tentar descarregar mais este capítulo da crise nas colônias espalhadas pelo mundo, como o Brasil. Daí as sucessivas investidas do FMI exigindo mais cortes de gastos públicos, arrocho salarial etc, como forma de garantir a continuidade do pagamento da dívida externa dos países pobres.
2)Como o senhor pretende administrar a questão do consumo e o crescimento do comércio varejista em seu governo?
Resposta: O crescimento do consumo e a conseqüente movimentação da economia do país (mais consumo = mais produção = mais emprego = mais consumo) têm uma relação direta com o poder de compra da população. Como é possível querer que o consumo aumente se boa parte dos trabalhadores recebe um miserável salário mínimo de R$ 200,00... se um terço da população ganha menos do que R$ 79,00 mensais? O pequeno contingente de trabalhadores que alcança um rendimento melhor aí inserida a classe média é incapaz de impulsionar significativamente o mercado.
Cabe aqui um comentário. Nos últimos anos, tem crescido a utilização ideológica da idéia da economia de mercado para se opor à ideologia de partidos como o nosso, que defendem o socialismo e a economia estatal planejada. No entanto, se há algo que o Brasil não possui é um verdadeiro mercado capitalista, com a integração ampla da sua população. Somente um amplo desenvolvimento industrial poderia trazer esse resultado e isso dependeria de um investimento da poupança/excedente nacional muito maior do que um capitalismo semi-colonial como o brasileiro é capaz de fazer.
Neste sentido, as propostas que o PCO defende, de imediato, para atender as necessidades vitais da população explorada, são a única via capaz de impulsionar a economia nacional e o consumo:
Reposição de todas as perdas sofridas pelos salários nos oito anos de Plano Real;
Salário mínimo capaz de garantir a sobrevivência digna de uma família trabalhadora, assim como prevê a Constituição Federal (nos cálculos do PCO, R$ 1.500,00).
Escala móvel de salários Toda vez que a inflação subir, automaticamente deverão ser reajustados os salários.
Redução da jornada de trabalho para 35 h semanais, como forma de garantir emprego para todos.
Reforma tributária, com a criação de um Imposto Único no país, a ser cobrado apenas sobre os ganhos do capital, ou seja, dos capitalistas. Nenhuma taxação deve ser imposta sobre os salários dos trabalhadores, o que implica na eliminação de todo e qualquer imposto sobre o consumo popular como IPI, ICMS e ISS.
Para os pequenos proprietários do campo e da cidade, total apoio do governo, com concessão de crédito barato e toda infra-estrutura necessária ao funcionamento dos pequenos negócios.
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