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TRAJETÓRIA DO PCO

Leia sobre a criação da TTB, o ingresso da tendência no PT e a criação do Partido da Causa Operária

Tendência Trotskista do Brasil

 

O Partido da Causa Operária surgiu como um agrupamento de militantes trotskistas rompidos com a Organização Socialista Internacionalista no final de 1978. Naquele momento esse grupo assumiu o nome de Tendência Trotskista do Brasil (TTB). Em junho de 1979 foi publicado o primeiro número do jornal Causa Operária. Esta ruptura foi parte de um processo de crise no movimento trotskista internacional, com a cisão entre diversos partidos latino-americanos, como os argentinos da Política Obrera e os bolivianos do Partido Obrero Revolucionario, com a organização francesa Organisation Communiste Internacionaliste (OCI) pelo seu abandono das mais elementares premissas do programa marxista.

 

Uma corrente revolucionária dentro do PT

 

Em 1980, esta nova organização política ingressou no recém criado Partido dos Trabalhadores, e se transformou na ala trotskista e revolucionária do Partido, conhecida pelo nome do seu jornal, Causa Operária. O ingresso da Causa Operária no PT deu-se sobre a base da compreensão de que este novo partido abria a possibilidade de construção de um verdadeiro partido operário, e que, para tornar realidade esta possibilidade, a vanguarda operária consciente deveria intervir energicamente neste processo, com um programa socialista revolucionário, na defesa da construção de um Partido de massas, sem relações com a burguesia.

 

Em 1982, nas primeiras eleições em que o PT participou, a atuação das alas trotskistas teve destaque em Diadema, onde a Causa Operária participou ativamente da eleição do primeiro prefeito do PT. Neste momento, a atuação da corrente estava resumida a São Paulo e Rio de Janeiro. Nesta eleição, a Causa Operária apresentou um programa reivindicando a integral autonomia dos municípios e a luta por um governo da classe operária.

 

As eleições de 1982 abriram uma importante crise e a Causa Operária participou da tentativa de criar um amplo bloco de esquerda dentro do PT. Esta importante iniciativa fracassou devido à sabotagem da esquerda centrista pequeno-burguesa. De 1983 a 1985, os integrantes da Causa Operária lutaram pela construção de uma central sindical operária, impulsionando a principal oposição classista no interior da CUT. Neste momento, de grande crescimento das lutas operárias, a Causa Operária passa a ter uma expressiva atuação nos sindicatos operários, através da construção de inúmeras oposições classistas contra a burocracia sindical. Neste período, a Causa Operária desenvolve-se nacionalmente, conquistando a direção de alguns sindicatos.

 

Em 1984, a tendência participa das “Diretas Já”, procurando apontar um caminho alternativo de luta das massas, contra a alternativa que levou o movimento à derrota no Congresso Nacional. O núcleo revolucionário teve papel de primeiro plano na formação da oposição classista CUT Pela Base, junto com oposições sindicais que, no Congresso de 1986, conquistaria quase metade dos delegados eleitos. O refluxo que se segue ao Plano Cruzado nas fileiras operárias, e a traição da esquerda centrista pequeno-burguesa, conduzem à destruição dessa oposição. Em 1988, depois de três anos de luta, a derrota completa da CUT Pela Base conduz ao estrangulamento da democracia operária na CUT, com o apoio de toda a esquerda centrista. No Congresso de Belo Horizonte são aprovados estatutos que retiram todo o poder da oposição sindical, transferindo para os aparatos burocráticos dos sindicatos.

 

Em 1989, a Causa Operária participa da campanha eleitoral denunciando a formação de uma frente entre o PT e a burguesia, pedindo a ruptura dessa relação, e propondo formar comitês eleitorais apenas com os militantes classistas do PT. Essa denúncia provocou a intervenção da direção do PT e a destituição dos diretórios municipais dirigidos pela Causa Operária que se opunham à aliança com a burguesia, como em Bauru-SP e Volta Redonda-RJ. Apesar de não ser acompanhada por nenhuma das tendências do PT que se reivindicavam de esquerda e de oposição, a campanha contra a coligação entre o PT e a burguesia teve ampla repercussão dentro do partido, propiciando um crescimento da influência política dos revolucionários.

 

Nas eleições de 1990, cerca de 20 candidatos da Causa Operária foram cassados pela direção do PT, entre eles o atual presidente do PCO, Rui Costa Pimenta. No Distrito Federal, neste mesmo ano, uma aliança da esquerda que se opunha à política de colaboração de classes, dirigida pela tendência, foi majoritária na convenção estadual do PT e escolheu o candidato a governador. A convenção foi anulada pela direção nacional, que teve de intervir em todo o diretório regional da capital federal. No segundo turno das eleições, a Causa Operária fez uma ampla campanha contra o apoio aos candidatos burgueses no segundo turno, sob a palavra-de-ordem: “sou PT, não voto em burguês”. No Rio Grande do Sul, os cartazes da campanha foram apreendidos pela polícia, a partir da demanda da direção do PT junto ao judiciário.

 

Finalmente, em 1991, os militantes da Causa Operária foram expulsos do PT em todos os estados, apesar de uma enorme campanha que reuniu mais de mil declarações de militantes de destaque do Partido contra a expulsão.

 

A saída do PT e a criação de um novo Partido

 

Nas eleições de 1992 e 1994, a Causa Operária não pôde lançar candidatos por não ter um partido legalizado. A posição do Partido foi a de apoiar os candidatos operários do PT. Em 1994, o PCO apoiou criticamente a candidatura de Lula, defendendo, em oposição ao programa burguês do PT, seu programa socialista e revolucionário, tendo como eixo um governo operário e denunciando a frente popular como uma política de traição à classe operária.

 

Consciente do completo fracasso do PT e da sua liquidação definitiva como uma perspectiva de construção de um Partido da classe operária, os militantes da Causa Operária lançaram-se à tarefa de construir um novo partido operário, o qual, embora muito minoritário em relação ao PT, constituía-se em uma necessidade inadiável. Em 1995, foi obtido o registro provisório do Partido da Causa Operária. Em 1997, após uma árdua campanha de filiação nacional, foi obtido o registro definitivo. O PCO surgia mostrando na prática que a luta revolucionária contra a burguesia consiste em superar os obstáculos que esta mesma coloca no caminho para intervenção política da classe operária.

 

Nas eleições de 1996 e 2002, o PCO lançou candidatos a prefeito em diversos estados do país. Em João Pessoa, o Partido ficou em terceiro lugar nas eleições, com um crescimento eleitoral de 480%. Na eleição de 2002 o Partido lançou cerca de trezentos candidatos em todo o país, incluindo candidato a Presidente da República.

 

Durante os governos Collor e FHC, o Partido se destacou pela oposição sistemática à política de privatizações, de recessão, desemprego, alta das tarifas públicas, arrocho salarial e na defesa dos interesses dos trabalhadores em todos os terrenos. Neste período o PCO foi vitorioso em agrupar um núcleo de vanguarda que, nos momentos de avanço e refluxo das lutas operárias, soube desenvolver e consolidar um programa socialista e revolucionário, e foi capaz de abrir caminho para construir uma verdadeira alternativa política de classe para os trabalhadores.

 

O PCO durante os anos do PT no governo

 

A subida do PT e da frente popular ao governo, falando em nome dos trabalhadores, mas levando adiante uma política que defendia fundamentalmente o interesse dos capitalistas, latifundiários e banqueiros internacionais, reforçou ainda mais a necessidade de construção de um partido operário que pudesse ser uma direção consciente para os trabalhadores e suas lutas.

 

O PCO foi o principal crítico da política burguesa do PT de um ponto de vista de classe, estabelecendo sempre a prioridade de luta contra a direita pró-imperialista, e denunciando toda a tentativa de confundir o movimento operário com a política. A luta do PCO contra o governo de frente popular deu-se, em todos os momentos, dando continuidade à política anterior, na defesa da ruptura da classe operária com a burguesia.